Pernambuco visa parceria com a Alemanha
Qua, 27 de Fevereiro de 2019 16:00


A Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação quer realizar intercâmbio entre jovens pernambucanos e alemães que trabalham em culinária e gastronomia.



Com o desafio de gerar mais empregos para os jovens de Pernambuco, a partir da qualificação profissional, um dos pilares da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação, o titular da pasta estadual, Alberes Lopes, visitou, nesta terça-feira (27), a senhora Cônsul Geral da Alemanha para o Nordeste, Maria Könning, com a intenção de discutirparcerias e intercâmbio entre o Estado e o País alemão. O encontro foi realizado no Consulado Geral da República Federal da Alemanha do Recife, que se localiza em Boa Viagem (Zona Sul) e representa os nove estados da região nordestina.

 

Entre os temas discutidos, um deles já começou a ser articuladopelo secretário Alberes Lopes junto àFederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomercio), como sugeriu a senhora Könning. Trata-se de avaliar a possibilidade de intercâmbio entre profissionais que trabalham em hotéis nas áreas de culinária e gastronomia. Uma iniciativa, inclusive, que pode estimular a busca do jovem dessa área por mais estudos e qualificação, uma das principais bandeiras da pasta estadual, inserida no Pacto pelo Emprego do governo Paulo Câmara.

 

A possibilidade de parceria discutida pela senhora Cônsul Geral poder beneficiar os dois países e o fortalecimento da mão de obra desses profissionais. Os pernambucanos escolhidos em processo seletivo trabalhariam na Alemanha no período de inverno do Nordeste (quando demanda hoteleira na região cai) e os alemães viriam para Pernambuco ter os mesmos tipos de experiências com a culinária local.
A estimativa é uma troca de culturas e aprendizado para estreitar a relação entre os dois países a partir de Pernambuco. “São muitas oportunidades que podem surgir para os nossos jovens pernambucanos e as portas vão se abrindo para o mercado de trabalho. O governador sempre fala que o Estado quer ser ainda mais parceiro dos pernambucanos que buscam realizar seus sonhos”, disse Alberes Lopes. “Na Alemanha, há falta de mão de obra na hotelaria”, declarou a senhora Maria Könning.

 

No encontro, a Cônsul Geral da Alemanha no Recife também conversou com o secretário sobre a 37ª edição do Encontro Econômico Brasil Alemanha, que será realizada entre 15 e 17 de setembro em Natal, no Rio Grande do Norte. Alberes Lopes, que representa os secretários do Trabalho no Nordeste, comprometeu-se em conversar com os demais chefes regionais executivos do primeiro escalão para que, na pauta dessa reunião, seja incluída a questão profissional, numa articulação com a Fecomércio, por exemplo, e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). “O Nordeste precisa se unir para representar a massa crítica e também atrair o potencial alemão”. Segundo a senhora Maria Könning, existem 1,6 mil empresas alemãs no Brasil, contribuindo com o Produto Interno Bruto em 10%, um número que pode aumentar, a depender da articulação política da região nordestina.

 

Outro ponto discutido foi a Formação Profissional Dual, que atrai cerca de 60% dos jovens alemães, ajudando a combater o desemprego, sendo a espinha dorsal da Alemanha, a quarta economia do mundo e a mais forte do bloco europeu. Na Alemanha, em dados atualizados, 52,4% da população local inicia uma formação profissional dual, 41,9% concluem essa formação e 1,3 milhões de jovens se transformam em aprendizes em 326 profissões. Segundo o Consulado Geral, a remuneração mensal é de R$ 854 euros, são profissionais valorizados no mercado.


Já existe uma experiência da Formação Dual em Natal, no Rio Grande, e o modelo de sucesso será estudado pela Secretaria do Trabalho de Pernambuco. A formação Dual é uma tradição na Alemanha e funciona porque tem a parceria dos empresários, que aceitam contratar estagiários, pagar um salário e liberá-los dois dias da semana para que possam estudar.


O modelo é para os jovens que não escolheram a carreira universitária e permite ao estudante uma formação global e universal. A senhora Cônsul Geral admitiu que outros países tentaram adotar a formação Dual e não tiveram sucesso, porque depende da mentalidade dos empresários e do acompanhamento do governo. “O estado é um facilitador, alguém que cria as normas. É importante que se entre em contato com o mercado para criar parcerias para que os dois lados aproveitem”, pontuou a Cônsul Geral.

 

Texto: Aline Moura

Foto: Bernardo Fialho/divulgação